This is who I am, and I'll always be.

domingo, 31 de outubro de 2010

The Longpitch - Cap. XVII

Não podia esperar a hora de me ver livre daquele lugar. Eu realmente precisava de férias.
Meus dias se resumiam a observar as coisas, as aulas, as pessoas, suas tristezas, suas alegrias. Tudo que eu via era tão contraditório, de um lado a felicidade total, de outro a tristeza consumindo pessoas. Acredito que a escola era um reflexo do mundo lá fora.
Uma garota do dormitório chegou muito triste depois das aulas, e depois da detenção, que por acaso eu também estava cumprindo. Ela devia ter 12 anos, não perguntei seu nome. Mas nós queríamos saber qual a razão dela ter ficado de castigo, já que era uma das melhores alunas, muito educada e amável com todos.
A menina muito triste falou pouco, pois estava envergonhada e assustada. Porém, pelo que pudemos entender, ela passou bilhetes durante a aula, algo que acontecia com frequencia, embora fosse passível de punição. Só entendemos como algo tão comum podia deixá-la assim, quando soubemos o motivo da correspondência. Era uma declaração, ou algo parecido, para outra garota da sala.
Num colégio só de meninas isso ocorria muito. Mas isso nunca é uma coisa fácil de lidar, para ninguém, muito menos para alguém tão jovem. Ela nos contou que se sentiu muito mal com a reação da coordenação diante de seu "caso" com a colega. Ela foi proibida de manter qualquer tipo de relação com a outra, como se estivesse cometendo um crime.
Pessoas fazem mal a outras dia após dia, e ainda vemos o amor ser punido, alguém precisa rever os conceitos desse mundo.

The Longpitch - Cap. XVI

Meus dias no colégio se passaram sempre naquela rotina de dualidade do tempo. Durante o dia, tudo se mostrava chato, cansativo e demorado. Mas quando era chegada a hora de estar com ela, de nos falarmos e matarmos toda a saudade acumulada, parecia que o tempo nunca seria suficiente, eu queria sempre mais. A conexão entre mim e ela era tão perfeita, que às vezes não precisavamos falar para sentir o que se passava uma com a outra; não existia nenhuma cobrança, nem os nomes tivemos o trabalho de perguntar, isso não importava, pessoas são maiores que nomes.
Só conseguia pensar nela todo o tempo, adormecia com ela em minha mente, para depois reencontrá-la em meus sonhos.
E como ela era linda, pensar nela era como acariciar minha mente.
Apenas o fato de não poder estar totalmente com ela naquele momento me deixava insegura, pois tinha medo disso não ser o suficiente para mantermos nossa conexão. Mas eu a desejava tanto, queria poder tocá-la, e sabia que conseguiria, de algum modo. Eu era somente dela.

sábado, 30 de outubro de 2010

The Longpitch - Cap. XV

A coragem é algo que não nos chega a todo momento, por isso é preciso aproveitar quando estamos cara a cara com essa virtude.
Tomei de minha coragem naquele momento, e liguei para ela, mais decidida do que nunca. Me surpreendi com minha própria atitude; mas não era hora de refletir sobre as mudanças que estavam ocorrendo comigo, eu precisava agir.
No primeiro e no segundo toque, parecia que alguém tinha apertado meu coração, segurando-o nas mãos. Mas ela atendeu no terceiro, fiquei tão nervosa por saber que ouviria a voz dela pela primeira vez, eu estava muito curiosa para saber como era, aliás ela me despertava curiosidades inacabáveis, queria saber de tudo sobre ela, eu só queria saber dela, e nada mais.
Quando ela falou "alô", com a voz mais doce desse mundo, eu tremi, se não estivesse deitada eu teria caído. Você pode achar que isso tudo é apenas exagero normal de quem está apaixonada. Mas ela realmente tinha a voz linda, queria ouvi-la até o fim dos tempos. Eu a respondi com um "oi" seguido de mil desculpas por ter ficado nervosa e desligado da outra vez, e pela demora em ligar, expliquei do castigo. Eu estava feliz por falar com ela, e, principalmente por estar conseguindo ser totalmente sincera e mostrar meus sentimentos, isso não é uma coisa muito fácil.
Fiquei mais feliz ainda em saber que ela também estava gostando de minha companhia. Eu não me cansava de estar fazendo aquilo. Só reparei no tempo transcorrido depois que desliguei e vi que a ligação durou 4 horas. Nem percebi quando as garotas entraram e foram pra cama. Eu estava tão envolvida na conversa, era tão bom falar com ela, em tudo nós concordavamos, não por educação ou tentativa de agradarmos uma à outra, eu sabia que estava sendo sincera e sentia verdade em sua voz linda.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

The Longpitch - Cap. XIV

Apesar do momento de alívio daquela manhã, sabia que meu dia seria extremamente longo, pois o pior já devia estar à minha espera. Como a coordenação não achou conveniente que eu perdesse as aulas, então esperariam para me punir pelo atraso apenas depois; achei muito gentil da parte dela haha...
Após as aulas, fiquei triste por saber que não poderia ligar para minha gata (é, eu já a chamava assim, puro atrevimento eu sei), já que iria direto para a detenção; as horas nunca foram tão longas como naquele dia.
Já à noite, saio do castigo e vou tomar banho; não conseguia tirá-la da mente um só segundo; eu poderia não ter me dado conta ainda de meus sentimentos por ela, naquele momento, mas o astuto leitor que presencia minhas humildes linhas, já os percebera há muito tempo.
Após o delicioso banho, como um pouco e vou para o quarto; por sorte não havia ninguém lá ainda. Eu teria privacidade se ligasse para ela. Ótimo. Só faltava ali a coragem de ligar, um mero detalhe...
Deitada na cama, o restante do quarto num vazio e num silêncio fabulosos, estava a olhar para o celular em minha mão, esperando o momento certo, ou melhor, o momento de coragem. Não entendia nem um pouco aquela ansiedade toda que estava sentindo, na verdade, eu tinha até medo do quanto ela mexia comigo.
Após vinte minutos de agonia, percebo que ainda estou exatamente igual, olhando aquele celular na minha mão... Isso tudo estava sendo mais difícil do que eu poderia pensar..
Percebo que estou sendo uma boba, então me forço a fazer logo aquilo, e acabar de vez com toda a ansiedade que me dominava.. O telefone chama do outro lado... Mas no segundo toque já o desligo rapidamente, e o largo em cima da cama, como se ele fosse um monstro...
Afundo meu rosto no travesseiro e coloco as mãos na cabeça, como quem se esconde de si mesmo. Estava envergonhada. Me assusto nesse momento com o toque do celular e o pego rapidamente, lendo logo a mensagem que chegara: "Era vc?". A qual respondo prontamente com um "Sim".

domingo, 24 de outubro de 2010

The Longpitch - Cap. XIII

No dia seguinte acordei e o rosto dela foi a primeira coisa que vi; ela estava dentro de mim em todos os momentos. Acordar pensando numa garota tão linda quanto ela, é acordar feliz, com um sorriso no rosto, inevitavelmente.
Aquela manhã seria uma correria para mim, pois, infelizmente, estava voltando para o colégio. Mas aquelas férias realmente valeram a pena. Me arrumei rapidamente, sem esquecer de pegar o papel com o telefone da garota, coloquei no bolso da calça, não largaria mais dele daí em diante. Joguei tudo que estava espalhado pelo quarto na mala, e sentei nela, em cima da cama, caso contrário ela não fecharia.
Saí apressadamente. Mandaram alguém me deixar lá. Desci do carro e olhei em volta do colégio. Após os acontecimentos da última noite, eu parecia meio paranóica, sempre olhando tudo, como quem procura algo, ou alguém.
Depois que atravesso o portão, ele começa a ser fechado, já que eu estava extremamente atrasada. Fico parada do lado de dentro da escola, a olhar para a rua, como quem espera alguém, eu pressentia que eu devia fazer isso, que algo iria acontecer. Então, imediatamente, um sorriso se faz em meu rosto, pois eu a vejo do outro lado da rua; não faço a menor ideia de como ela descobriu onde estudo, cheguei até a pensar que eu estava totalmente maluca ou alucinada, mas depois me dou conta de que meu amigo e ela podem ter conversado um pouco lá na praça, na noite anterior. Fico aflita em pensar no que ele pode ter falado de mim, talvez ela me ache chata, louca, ou algo assim...
Pedi ao porteiro pra me deixar sair um pouco, mas ele foi irredutível, alegando que eu já estava atrasada, e que as regras do colégio não permitem saídas. Olho meio triste para ela, ambas estão imóveis nesse momento, mas existia ali uma conexão entre nós, uma sabia exatamente o que a outra estava pensando, sem precisar de nenhuma palavra. Segurei meu bolso e lembrei que tinha o telefone dela, foi um alívio. Tive que entrar logo no colégio, pois todos já estavam a minha espera, sai de lá olhando para trás, para poder vê-la por alguns segundos mais enquanto eu me afastava. Percebi que ela também saía, então não vi mais nada.

The Longpitch - Cap. XII

Chegando em casa, me sentia muito cansada, além disso, no dia seguinte teria que retornar ao colégio, para minha agonia. Então, resolvi deitar logo, porém, não conseguia dormir.
Minha mente estava em uma avalanche de pensamentos, e de sentimentos. A garota era realmente linda, e algo me dizia que poderíamos nos dar bem.. eu estava pensando positivamente sobre isso, o que não era comum a minha pessoa.
Não iria ligar para ela ainda, estava cansada, e ainda não me sentia corajosa o suficiente para isso. Mas não consegui deixar de pensar nela um único segundo. Me sentia totalmente estranha, meu coração batia tão forte em meu peito que chegava a doer, um arrepio corria por todo meu corpo, que estava quente.
Cheguei a pensar que eu estivesse doente, só descartei essa possibilidade porque pensar nela me fazia ficar tão feliz, feliz demais para alguém que estivesse doente. Viajei pensando em beijá-la devagar, sentindo seu corpo, parecia que ela estava ali comigo, num delírio tão real que quando acordei dele percebi que já estava realmente excitada. Então imaginei a mão dela, em vez da minha, a me tocar, e delirei mais uma vez, de tanto prazer que senti.

sábado, 23 de outubro de 2010

The Longpitch - Cap. XI

Ainda na praça, fiquei desolada quando perdi a garota de vista. Mas não criei dentro de mim a expectativa de ir falar com ela, então não me senti tão culpada por deixar a oportunidade passar... Nem entendi porque ela mexeu tanto comigo. Na verdade, naquele momento eu não me dei conta do que ela já significava para mim, de que esse encontro não ocorreu por acaso, ele já estava previsto, estava escrito.

Para minha sorte, ela tomou a iniciativa. Um amigo veio me dar um papel com algo escrito por ela. Quando ele chegou perto de mim, antes que falasse algo eu já esboçava um leve sorriso nos lábios, sabia que era algo sobre ela. Pelo visto realmente deixei transparecer o quanto eu a achei bonita, pois ela me respondeu ao que lhe disse, mesmo sem querer, com meu olhar. Havia escrito com uma letra de anjo para mim:

"Também achei você bonita, obrigada, beijo..."

Ela escreveu ainda seu telefone. Fiquei aliviada ao vê-lo, significava que não perdi o contato com ela, e que eu poderia ouvir sua voz, caso eu conseguisse ligar para ela depois, assim que minhas pernas parassem de tremer, que minhas mãos descongelassem, e que eu conseguisse dizer alguma palavra...

The Longpitch - Cap. X

Há momentos em nossa vida em que acontecem coisas que irão mudá-la para sempre. Mas quase nunca conseguimos perceber a sua importância, só muito tempo depois conseguimos nos dar conta do quanto determinado fato foi tão decisivo.

Num dia normal, que não me parecia permeado de nenhum momento decisivo, resolvo dar uma volta, uma amiga me indica um lugar legal e com algo que eu estava procurando: garotas. Na verdade quando me refiro a "amiga", quero dizer algo mais vago, amizade verdadeira está mais escassa ainda para mim que para o resto do mundo.

Chegando ao local, na minha habitual falta de jeito em "tudo", no sentido mais amplo que esta palavra possa ter, fico meio pelos cantos, falo com algumas pessoas, mas sem grandes expectativas de fazer amizade com elas. O lugar me agradava muito, pois me identificava com aquelas pessoas. Havia barzinhos em volta, algo que não me atraía, e uma praça enorme. Para minha sorte havia poucas pessoas naquele dia; se houvesse mais eu já estaria passando mal.

Olhando aquele movimento todo, procurando nem eu mesma sei o que, me sinto meio só; mesmo rodeada de tanta gente interessante e bonita, e mesmo chamando a atenção dessas pessoas, que buscavam uma aproximação, inutilmente, pois eu parecia estar cercada por muros que ninguém ali possuía o dom de ultrapassar.

Sabe quando você olha para algo e fica totalmente fora de si mesmo por não acreditar no que seus olhos veem? Eu fiquei assim, sem saber o que fazer, sem conseguir crer no que estava à minha frente... E era algo que não se podia realmente jamais achar que fosse real, mas era. Do que se trata essa visão tão avassaladora? Uma garota. Você poderia me dizer "tudo isso só por causa de uma garota?" e eu prontamente diria que também me surpreendi pelo fato de apenas uma garota ter esse efeito sobre mim.

Mas o que essa garota tinha de tão especial? Eu nem saberia como responder a isso. A beleza absoluta não pode ser explicada com palavras. E mais difícil ainda seria explicar o quanto eu consegui ver de sua alma, que, acreditem, era mais bela ainda. Ou seja, ela era o ser humano mais lindo no universo.

Eu queria dizer que falei com ela normalmente. Mas pela minha reação conturbada do parágrafo anterior, já podem imaginar que isso não aconteceu. Porém isso não seria necessário para que ela soubesse o que se passava comigo, pois qualquer uma daquelas várias pessoas que estavam no local liam em meu olhar para ela naquele momento: "nossa! como você é linda!".

The Longpitch - Cap. IX

Deitada de uma maneira tão relaxante e gostosa em minha cama, não poderia deixar de pensar na companhia de alguém, não sabia quem, mas não podia ser qualquer pessoa, aliás, só poderia ser uma pessoa nesse mundo, mesmo que eu não a tivesse encontrado ainda.

Logo adormeço e continuo o sonho que comecei quando ainda estava acordada. Sinto suas mãos tocarem de leve meu pescoço, não consigo abrir os olhos, só consigo sentir esse toque delicioso e desejar que ele não acabe. Seguro essa delicada mão e a beijo, sinto seu abraço forte, em seguida suas mãos ao redor da minha cintura, as seguro nessa posição.

Depois de um tempo nesse contato, ainda não vejo seu rosto, mas sinto seus lábios macios tocando de leve minha nuca, pescoço, ombro, e por último meu rosto. Viro-me um pouco e procuro seus lábios, que logo tocam os meus com uma maciez delirante, beijo com meus olhos fechados, delirando com essa sensação de tocar lábios tão deliciosos.

Longo foi o beijo, sensação única que me deixou fora do meu corpo por alguns instantes, em êxtase; quando volto a senti-lo, percebo que já não visto nada, nem ela, não via seu rosto direito, mas sentia naquele momento sua pele tocar a minha, seu corpo todo nu junto ao meu, num toque que me levava a um prazer intenso, como nunca havia sentido antes.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

The Longpitch - Cap. VIII

Apreciar um raro momento de chuva é algo mágico para mim. Uma sensação deliciosa, um friozinho que acalma de um modo marcante, é como se você pudesse sentir as belas mãos da sua amada a te fazer carinho. Chove lá fora e eu penso que estou nos braços mais delicados e mais acolhedores do mundo, como é bom ficar assim e não ter hora para acordar desse sonho.

Adoro a chuva, ela purifica o universo, se mostrando assim um fenômeno extremamente mágico. Nessas horas acolhedoras só tenho vontade de me deitar, relaxar, ouvir a melhor música, e pensar na melhor pessoa, na melhor compania... ou mesmo desejá-la em meus braços e não deixá-la mais ir embora, eternamente minha.

O amor é o sentimento mais poderoso que pode haver. Só ele é capaz de dominar nossas mentes e fazer o universo, com seus problemas todos, parecer tão pequeno... tão inútil diante da força de atração entre duas mentes que estão em total conexão.. desafia todas as leis científicas, fazendo com que duas pessoas estejam tão próximas que ocupem o mesmo corpo, a mesma mente e o mesmo coração.

A chuva me lembra esse sentimento. Porque sempre que chover vou me lembrar da compania que quero para esses momentos, e quando estiver com a minha amada vou me lembrar da chuva, desejar que ela caia lá fora, purificando o universo, enquanto tenho essa pessoa em meus braços e a beijo delicadamente, sem querer fazer mais nada a não ser mostrar todo meu amor a ela naquele momento.